
Iniciativas que estão mudando o mercado de crédito
Recentemente, diversas iniciativas têm surgido com o objetivo de revolucionar o cenário do mercado de crédito no Brasil. Um destaque nesse contexto é a One7 Grupo, uma empresa que se concentra no setor de crédito estruturado. A companhia introduziu a nova unidade de negócios chamada One7 Partner, que visa facilitar a conexão entre securitizadoras, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e operadores regionais. Esse esforço visa criar uma plataforma que integre infraestrutura financeira, tecnologia avançada e uma governança eficaz, aumentando assim a possibilidade de crédito disponível para pequenas e médias empresas.
Diante disso, é perceptível que a demanda por modelos que unam capital, tecnologia e governança está em ascensão, conforme revelam estatísticas do Banco Central. O crédito total ao setor produtivo alcança a marca expressiva de R$ 7,1 trilhões, o que está bem próximo do total de crédito do Sistema Financeiro Nacional, que é de R$ 7,2 trilhões. Esses números refletem um cenário que demanda novas soluções e adequações.
O papel das securitizadoras e FIDCs
As securitizadoras e os FIDCs exercem um papel essencial no funcionamento do mercado de crédito. Essas entidades são responsáveis por transformar recebíveis, como notas fiscais, em instrumentos financeiros que podem ser investidos. Por meio deste processo, elas facilitam a circulação de capital entre empresas que precisam de liquidez e investidores que buscam oportunidades de rentabilidade.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios atuam especificamente na aquisição de direitos creditórios, permitindo que empresas antecipem recebíveis nessas transações. Isso é especialmente vantajoso para pequenas e médias empresas, que frequentemente encontram dificuldades em acessar crédito em condições justas. No entanto, a capacidade que essas instituições têm de conectar empresas e investidores vai além da simples transação financeira; elas também oferecem uma camada de segurança e eficiência.
Desafios enfrentados pelos operadores regionais
Apesar das inovações e avanços no setor, os operadores regionais ainda enfrentam barreiras significativas. De acordo com João Paulo Fiuza, CEO da One7 Grupo, muitos desses operadores têm dificuldade em acessar os recursos necessários, principalmente capital e tecnologias apropriadas. Esse acesso restrito se torna um obstáculo para a criação de operações robustas e eficazes no mercado.
Essas dificuldades são comumente características em áreas regionais onde há uma penetração financeira limitada e um histórico de operações de crédito que nem sempre atende às demandas do mercado local. Além disso, o nível de governança e a complexidade das operações de crédito também podem dificultar a participação desses operadores em um mercado cada vez mais competitivo.
A importância da tecnologia no crédito estruturado
A incorporação de tecnologia no mercado de crédito estruturado é uma tendência que não pode ser ignorada. Com o avanço da automação e de soluções tecnológicas, as empresas conseguem não apenas otimizar suas operações, mas também melhorar a proteção dos dados e a eficiência na análise de crédito. Essa transformação digital permite que as instituições financeiras sejam mais rápidas em suas decisões, reduzindo o tempo de análise e garantindo uma resposta mais ágil aos clientes.
A One7, por exemplo, investiu substancialmente em inovação tecnológica, destinando mais de R$ 50 milhões para desenvolver sistemas de infraestrutura operacional e automação. Essas ferramentas são projetadas para não apenas suportar as operações de crédito, mas também proporcionar uma base para que parceiros possam operar sob a marca da One7 sem comprometer sua identidade própria.
Experiência da One7 Grupo no setor
A experiência acumulada pela One7 no setor de crédito estruturado moldou o lançamento da iniciativa One7 Partner, que já conta com cerca de 30 parceiros em sua fase inicial. O projeto reflete a estratégia de crescimento da empresa, que visa expandir sua presença e operações no mercado. A meta é alcançar 70 operações parceiras até 2026 e uma carteira de crédito de R$ 3 bilhões até 2030.
Fiuza enfatiza a maturidade do mercado, que não exige somente a injeção de capital, mas também uma capacidade refinada de distribuir crédito de maneira eficiente. O uso de tecnologia está se tornando um fator diferencial nessa equação, tornando-se cada vez mais relevante para a competitividade no mercado.
O que são Fundos de Investimento em Direitos Creditórios?
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) são veículos que permitem a aquisição de direitos creditórios gerados por empresas. Essa modalidade de investimento possibilita que investidores compitam por uma participação nos recebíveis das empresas, oferecendo uma alternativa ao financiamento tradicional. Nos últimos anos, os FIDCs têm se mostrado fundamentais para facilitar o fluxo de caixa e atender às necessidades de solvente de empresas que, de outra forma, teriam dificuldade em obter crédito.
Esses fundos são regidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e buscam diversificar seus portfólios, reduzindo riscos e aumentando a atratividade para investidores. Essa estrutura é especialmente vantajosa para pequenos e médios empreendedores que precisam de capital de giro rapidamente e que muitas vezes não se enquadram nas exigências rigorosas das instituições financeiras convencionais.
Perspectivas para o mercado de antecipação de recebíveis
O mercado de antecipação de recebíveis apresenta um potencial promissor no Brasil. Estima-se que haja mais de R$ 10 trilhões em notas fiscais passíveis de antecipação, o que representa uma oportunidade significativa para pequenos e médios empresários. No entanto, a exploração desse potencial depende da capacidade das instituições financeiras em simplificar o acesso a esses recursos e garantir condições favoráveis para os empresários locais.
A One7, através do One7 Partner, visa exatamente explorar essa oportunidade, ao criar uma rede de apoio e infraestrutura que facilite a antecipação de recebíveis, tornando esse processo mais acessível e eficaz. A inclusão financeira se torna, portanto, uma prioridade para expandir o acesso a crédito em regiões que tradicionalmente o têm em baixa oferta.
Investimento em infraestrutura e automação
O investimento em infraestrutura e automação é um dos pilares que garantem a eficácia das operações de crédito. Com mais de R$ 50 milhões alocados, a One7 está posicionando sua plataforma para atender de maneira eficaz a demanda crescente por serviços de crédito estruturado. A utilização de tecnologias modernas desempenha um papel crítico nesse contexto, proporcionando uma relação mais ágil e confiável entre as partes envolvidas.
Esse foco em automação não apenas melhora a velocidade das operações, mas também reduz o potencial de erros e fraudes, oferecendo um cenário mais seguro para todos os envolvidos. As tecnologias de ponta incluídas nos sistemas de crédito estruturado permitem que a governança seja mantida em alto padrão, algo cada vez mais essencial em um ambiente de regulamentos crescentes.
Como a governança afeta a distribuição de crédito
A governança é um aspecto crucial que impacta diretamente a distribuição de crédito. Em um mercado complexo como o de crédito estruturado, práticas de governança eficazes são essenciais para garantir que as operações sejam realizadas de maneira transparente e responsável. Isso é particularmente relevante para manter a confiança de investidores e dos clientes.
Com a estrutura adequada, os operadores podem assegurar que os processos de tomada de decisão sejam feitos com integridade e que as políticas de crédito sejam seguidas rigorosamente. A transparência nas operações gera um ambiente favorável para novos investimentos, ampliando as oportunidades para os pequenos e médios negócios.
A expectativa de crescimento para 2030
As projeções para o crescimento do mercado de antecipação de recebíveis e crédito estruturado até 2030 são otimistas. A One7 Grupo, pondo em prática sua estratégia de desenvolvimento e expansão, espera encerrar 2026 com um total de 70 operações parceiras e uma carteira de crédito considerada robusta, alcançando R$ 3 bilhões. Esses indicadores são reflexos diretos das iniciativas e investimentos feitos na modernização do acesso ao crédito.
Esse crescimento não se limita apenas à One7. Com a evolução contínua das tecnologias e a adequação das práticas de governança, a expectativa é que mais instituições e operadores regionais ingressem no mercado, melhorando a competitividade e expandindo o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas em todo o Brasil.